quinta-feira, 16 de junho de 2011

Método Oriental



Aqui se deve usar o Tarot, de preferência o baralho egípcio, como orientação para a posição de vida, a fim de obter resposta para as questões: “Em que ponto estou?” Que devo fazer? Quais são os meus lados de sombra que terei que reconhecer e aceitar?



As três formas de deitar as cartas são:



- A Pequena Estrela-Guia Egípcia;

- A Grande Estrela-Guia Egípcia;

- Os Caminhos de Thot



A Pequena Estrela-Guia



A pequena estrela-guia egípcia ajuda-nos a descobrir nossa posição no momento, quando, por exemplo, estivermos diante de uma tarefa previsível (no que se refere ao tempo). Isso é muito bom para situações de excesso de tensão ou para momentos em que nos sentimos sobrecarregados de exigências, quando há grande confusão e é necessário recuperar depressa a paz interior.



A Grande Estrela-Guia



A grande estrela-guia, ao contrário, indica o caminho para um período maior da vida. Trata-se aqui de uma ampliação da pequena estrela-guia; no entanto, não se trata de vislumbres, mas de orientações completas do próprio pensamento e do próprio subconsciente.





Os Caminhos de Thot



Os caminhos de Thot são a coroação do jogo e são contundentes pela sua simplicidade; aliás, as três maneiras de deitar as cartas são extremamente simples; assim, qualquer pessoa pode usá-las e interpretá-las. Os caminhos Thot mostram os lados da sombra que devem ser aceitos pela pessoa que faz a pergunta. Não faz sentido deitar as cartas da iniciação para si mesmo (ou pedir que alguém o faça) sem depois tirar da leitura conseqüências para o transcurso posterior da vida.





Como Proceder?



Em todos os três modos de deitar as cartas, elas primeiro são deitadas à nossa frente abertas, isto é, com a figura voltada para cima. Não é preciso que sejam colocadas em seqüência numérica. Os consulentes colocam as cartas na ordem em que, conscientemente, acharem conveniente no momento. Mas, de preferência, devemos aconselhá-los assim: “Coloquem as cartas na seqüência que desejarem – aquelas cartas que escolheram para vocês mesmos. Convém vocês mesmos estabelecerem a sequência. As cartas lhes pertencem”.



Depois de colocadas em seqüência, os consulentes não tocam mais nas cartas. Então elas serão misturadas mais uma vez e, a partir de então, mantidas cobertas. Em seguida são colocadas sobre a mesa aleatoriamente, com a figura oculta. O consulente escolhe as que quer, sob a orientação do conselheiro. Para demonstrar a escolha, ele toca as cartas com a ponta dos dedos e as recolhe isoladamente, ainda cobertas.



Às vezes trabalha-se com as cartas abertas. Cada pessoa deve encontrar sua maneira de lidar com as cartas para que estas falem com ela. Na prática comprovou-se que a forma mista é melhor, ou seja, como aqui explicado: primeiro escolhem-se as cartas abertas e depois se tiram algumas das outras. Em seguida, passamos a descrever a primeira maneira de deitar as cartas, a pequena estrela-guia egípcia que nos revela o momento presente.




A Pequena Estrela-Guia Egípcia

Neste caso, há duas possibilidades de dispor as cartas: uma vez com a figura voltada para cima, outra vez com a figura voltada para baixo. Ao todo são escolhidas cinco cartas do maço de 22 (Arcanos Maiores). No modo de arrumar as cartas com a figura voltada para cima, os que buscam conselho escolhem quatro cartas, também sob a orientação do conselheiro.
Para esse modo é necessário deitar todas as 22 cartas sobre a mesa com a figura “voltada para cima”, isto é, com a figura visível. Tanto faz se as cartas estão deitadas segundo a seqüência numérica ou não. É até mesmo melhor deitar as cartas sobre a mesa o mais embaralhada possível.
O conselheiro ou conselheira (a pessoa que lê as cartas) pede que o consulente escolha uma carta (primeira carta) que deverá refletir o problema, a questão em que ele se vê envolvido. Em geral, as pessoas só se interessam pela leitura das cartas quando estão atormentadas pela curiosidade ou ao se encontrarem em situações difíceis. Segundo este estado de ânimo, é escolhida a carta seguinte (segunda carta), que corresponde ao humor do momento. A terceira carta deve corresponder à necessidade, ao dever, e a quarta carta à saudade, ao desejo que tem.


Agora todas as outras 18 cartas são reunidas num único monte; em seguida, elas devem ser misturadas e dispostas com a figura virada para baixo, sobre a mesa. O consulente em busca de conselho escolhe a quinta carta sem saber qual é, pois está com a figura virada para baixo. Ele a coloca no centro. É assim que obtemos a formação denominada de a Pequena Estrela-Guia egípcia.

As cartas são dispostas da seguinte maneira:





A Grande Estrela-Guia



Enquanto que a Pequena Estrela-Guia egípcia se presta à consulta sobre situações momentâneas de vida, a consulta à Grande Estrela-Guia possibilita o reconhecimento da direção básica que se deve tomar.



Esta Grande Estrela-Guia também é armada segundo um sistema: a primeira carta é escolhida de maneira aberta; em seguida as outras 21 cartas são reunidas e o consulente escolhe mais seis, de modo a deixar sete cartas em jogo. Todas as outras cartas são postas de lado. As cartas serão dispostas em seqüência, e logo a seguir podemos dizer o que significam, desde o início.  (Os números arábicos mostram a seqüência da escolha das cartas. Não se deve confundi-los com a numeração romana.)



Esta disposição significa que o problema (primeira carta) e o momento (segunda carta) estão ligados por uma carta = ligação (terceira carta) que indica como se deveriam unir ambas as coisas, o que finalmente levará ao resultado da quarta carta. A quinta carta mostra o compromisso, ao passo que a sexta carta indica a necessidade ou os deveres. Sobre todas as outras, paira a sétima carta, como uma estrela-guia, a Grande Estrela-Guia, a indicar a direção do caminho.



A Grande Estrela-Guia egípcia só deveria ser usada quando – graças às outras cartas – o problema fosse conhecido. Só então ela fornece, por assim dizer, o ponto final. É bem provável que durante a interpretação seja entabulada uma conversa, o que enfatiza ainda mais a interpretação das outras cartas.



Na maioria das vezes, cada uma das imagens desperta associações que levam ao autoconhecimento. Também, é claro, cada conselheiro de tarô pode modificar à vontade o modo de dispor as cartas. É importante, contudo, não tirar mais do que sete cartas. Em caso de extrema necessidade, pode-se tirar uma oitava, como esclarecimento da Estrela-Guia egípcia.





As cartas são dispostas da seguinte maneira:








O Caminho de Thot



Assim chegamos à principal forma de dispor as cartas do Tarô Egípcio – Os Caminhos de Thot.



Nesta maneira de dispor as cartas, trata-se da aceitação da sombra, do lado escuro de todas as coisas, de cada causa, de cada pessoa, de cada circunstância da vida. Como dissemos no início, essa idéia era de suma importância para os egípcios, pois eles construíam seu raciocínio básico a partir do dia e da noite, da vida e da morte,...



Os Arcanos Maiores compõem-se de 21 cartas, mais a carta do Não-Iniciado (O Louco – Lâmina 0/22), o que resulta em 22 figuras. Imaginemos estar num templo em que haja a exposição de 11 figuras de um lado e 11 figuras de outro. Desta forma, cada figura tem seu oposto. Sempre duas figuras se pertencem de certo modo, ambas olham uma para a outra. O que acontece – dependendo do ponto de partida – é que uma vez a figura é a representação do que se conhece, e da outra vez é a outra figura que representa o que se conhece. O quadro do lado oposto sempre representa o lado da sombra, o lado escuro, a complementação interior. Dessa forma, o conjunto das pinturas do templo seria um ciclo de quadros que ajudaria a pessoa que busca.



Então, faz-se a contemplação quadro por quadro, sendo muito importante sempre procurar a relação de pares de quadros entre si. Quando a pessoa que busca se concentra num quadro, essa figura representa a claridade; no entanto, o quadro que fica às suas costas representa o lado escuro (inconsciente), o lado oculto, que os olhos não vêem por estarem voltados apenas para frente. Se os que buscam se voltarem e seguida para trás, e olharem para a figura oposta, tudo se inverte; então o escuro se torna claro e o claro transforma-se no escuro.



É importante aperceber-se da ordem, isto é, da seqüência que apresentamos através da numeração e do nome das cartas, para dessa forma podermos entender melhor todo o ciclo. Também os pares se tornam mais compreensíveis; reconhecemos quais etapas de desenvolvimento se completam especificamente, quais apenas se relacionam com as outras.



I
O Mago
0-XXII
O Não-Iniciado
II
A Grande Sacerdotisa
XXI
O Mundo
III
A Faraó
XX
A Ressurreição
IV
O Faraó
XIX
O Sol
V
O Grande Sacerdote
XVIII
A Lua
VI
Os Dois Caminhos
XVII
A Estrela Mágica
VII
O Carro de Osíris
XVI
A Torre
VIII
A Balança da Consciência
XV
O Demônio
IX
O Eremita
XIV
As Duas Urnas
X
A Esfinge
XIII
O Umbral
XI
A Força
XII
O Enforcado





Resulta a seguinte complementação:




CLARO
ESCURO
I
O Mago
0-XXII
O Não-Iniciado
II
A Grande Sacerdotisa
XXI
O Mundo
III
A Faraó
XX
A Ressurreição
IV
O Faraó
XIX
O Sol
V
O Grande Sacerdote
XVIII
A Lua
VI
Os Dois Caminhos
XVII
A Estrela Mágica
VII
O Carro de Osíris
XVI
A Torre
VIII
A Balança da Consciência
XV
O Demônio
IX
O Eremita
XIV
As Duas Urnas
X
A Esfinge
XIII
O Umbral
XI
A Força
XII
O Enforcado
XII
O Enforcado
XI
A Força
XIII
O Umbral
X
A Esfinge
XIV
As Duas Urnas
IX
O Eremita
XV
O Demônio
VIII
A Balança da Consciência
XVI
A Torre
VII
O Carro de Osíris
XVII
A Estrela Mágica
VI
Os Dois Caminhos
XVIII
A Lua
V
O Grande Sacerdote
XIX
O Sol
IV
O Faraó
XX
A Ressurreição
III
A Faraó
XXI
O Mundo
II
A Grande Sacerdotisa
0-XXII
O Não-Iniciado
I
O Mago

  

Cada carta CLARO tem, portanto, o seu lado ESCURO, sendo que o escuro não significa nada de negativo. Trata-se simplesmente de aceitar a sombra como um subconsciente exigente, como uma força estimulante interior.



O Arcano XV/15 – O Demônio pode representar perfeitamente a claridade, o consciente. Quem tira essa carta, tira ao mesmo tempo a carta A Balança da Consciência (Arcano VIII/8). Sempre se escolhe o lado claro. Se esse lado for o Demônio, significa que existe no caso uma força intensa, ainda não organizada, cuja entrada ainda precisa ser medida com exatidão.



Quem tirar a carta A Estrela Mágica (Arcano XVII/17) como lado claro, deve saber que no escuro estão abertos Os Dois Caminhos (Arcano VI/6), ou: o inconsciente reconhece a necessidade de se tomar uma decisão para que a Estrela Mágica brilhe de verdade.



Quem tirar A Ressurreição (Arcano XX/20) o renascimento das forças depois da derrota, deve saber que o seu lado de sombra o está advertindo para dominar também o cotidiano, isto é, os acontecimentos terrenos, conforme a carta A Faraó (Arcano III/3).



Se porventura se tirar a carta O Eremita (Arcano IX/9) como o lado claro, isso significa que essa pessoa deseja recolher-se em si mesma, o que inclui o escuro no jogo, ou então: não basta procurar a felicidade apenas em si, mas é necessário que o Eremita saiba que a ela o Criador dá a benção. Quando queremos no isolar, não devemos nos retrair diante de todo o mundo, mas é preciso reconhecer que o divino continua a nos conduzir e guiar, mesmo que seja no sentido esotérico.





Para o jogo Os Caminhos de Thot, precisamos ao todo de oito cartas. A carta 8 (para contar, usam-se outra vez os números arábicos) representa o  Conselho de Thot. Há apensa uma variação deste jogo que, tanto quanto possível, não deve ser alterado.



As primeiras três cartas devem ser escolhidas com a figura virada para baixo. Naturalmente, elas também podem ser escolhidas com a figura virada para cima, mas isso causa dificuldades: muitos dos que estão acostumados a lidar com esse jogo ou já o conhecem, logo reconhecem a carta oposta, ou de complementação e, assim, já ficam sabendo onde está o seu lado de sombra.



Quem não conhece as cartas nem o jogo pode escolher as três primeiras cartas mesmo estando elas viradas para cima. Depois da escolha das cartas (descobertas ou não), o conselheiro tira a carta oposta para dispô-la depois. As cartas são embaralhadas outra vez e é tirada a segunda carta; o conselheiro tira logo a oposta, acrescentando-a àquela tirada pelo consulente, e assim por diante.



Eis o esquema:





Na prática, isso significa o seguinte: a primeira carta escolhida descreve a situação pessoal do consulente. A carta complementar esclarece essa situação.



A segunda carta tirada ou escolhida descreve o desejo da pessoa interpretado à luz da carta complementar.



A terceira carta reflete o medo, o temor, também descrito pela carta complementar.



A quarta carta mostra a situação geral na realidade, e a carta complementar representa o Conselho de Thot, que deve ser seguido no tempo imediatamente posterior a consulta.



Das cartas embaralhadas tiram-se três, que são colocadas em cima da mesa com a figura voltada para baixo. É bom esclarecer e tornar o consulente atento para o fato de que é a sua sombra, a sua escuridão criativa que escolhe as cartas. A percepção para as cartas se intensifica, e também é aconselhável o uso do dedo médio da mão esquerda para apontar as cartas escolhidas, visto que nesse caso há oculto determinado sentido de percepção. O dedo deve passar sobre as cartas. Os consulentes terão a sensação de que uma carta irradia calor, enquanto outra se mostra fria. Não importa que isso se possa provar ou não; o que de fato é importante é a concentração do consulente. Também não tem nenhuma importância se o consulente descreveu antes o seu problema ou não. O tarólogo, como conselheiro, deve captar a situação a partir das cartas. Naturalmente, para fazê-lo é necessário muita prática e também experiência.



Se for escolhida a Carta I (O Mago), a que mostra a situação, pode-se falar sobre ela até que a pessoa, homem ou mulher, tome conhecimento da carta complementar ou Carta da sombra, neste caso, é a carta 0/XXII (O Louco).



O conselheiro de Tarô já sabe, depois de praticar um pouco, qual é a carta da sombra de cada uma das cartas. Mas a situação como um todo só será descrita com a carta dos lados claros e escuros, ou seja, a carta clara e a carta da sombra, antes de passar à carta do desejo, que também é documentado por duas lâminas e que, finalmente, permite que se reconheça o medo. Desejo e medo, na verdade, quase sempre estão diretamente juntos, pois cada desejo contém um medo, pode acarretar um temor.



Vamos dar algumas palavras-chaves para o lado claro e para o lado escuro. Sozinhas, porém, elas não bastam em nenhum caso para se fazer uma interpretação.



ARCANOS

Significados Resumidos

I e 0/XXII
O Mago tem de aceitar que também vive o desconhecimento em seu interior.
II e XXI
A Grande Sacerdotisa luta para ter o Mundo; no entanto ainda não o possui.
III e XX
Os deveres do dia-a-dia não devem obscurecer nosso olhar para aquilo que vem depois.
IV e XIX
O dominador nunca deve ofuscar a luz do Sol.
V e XVIII
O Grande Sacerdote que realiza as provas também tem de se pôr a caminho.
VI e XVII
A dúvida deve ser vencida por meio do amor.
VII e XVI
A vitória pode levar a perturbações.
VIII e XV
Sem uma avaliação da consciência, o demônio vence.
IX e XIV
O Eremita precisa das bênçãos da divindade.
X e XIII
Não há risco sem a ousadia de cruzar um novo umbral.
XI e XII
Quem estiver em pé no alto, precisa estar pronto para o retorno.
XII e XI
Para o retorno são necessárias todas as forças.
XIII e X
Cruzar um novo umbral representa um risco.
XIV e IX
Só chegamos até Deus se olharmos para o nosso interior.
XV e VIII
Nossos demônios têm de ser avaliados pela consciência.
XVI e VII
A destruição pode levar a vitória.
XVII e VI
O amor precisa de decisão.
XVIII e V
O novo caminho precisa de auto-análise.
XIX e IV
A força do sol precisa ser vencida.
XX e III
A ressurreição leva a novos deveres.
XXI e II
O mundo precisa ser protegido pela Grande Sacerdotisa.
0/XXII e I
A percepção intuitiva da própria falta de conhecimento desperta forças mágicas.







*Extraído do livro “O Tarô Egípcio – Um Caminho de Iniciação”; Bernd A. Mertz


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